SECRETÁRIA AFIRMA QUE NÃO
HÁ IRREGULARIDADES
Da Reportagem local da Folha
A Secretária da Cultura, Cláudia
Costin, diz que o afastamento da chefe de gabinete, Maria Luiza
Granado, se deve a uma "composição de equipe" e
não tem relação com a inclusão de
seu nome entre os funcionários da TV Cultura. "Tem
a ver com questões administrativas em geral", disse,
por telefone, anteontem. Sobre a reestruturação
na pasta, Costin disse que resolveu "consertar o avião
em pleno vôo". "Até o final do ano, estaremos
com a casa em ordem. Há uma restruturação
profunda em curso, mas sem paralisar nada", disse. (FV)
Folha - A sua chefe de gabinete aparece numa lista de funcionários da
TV Cultura. O cargo de chefe de gabinete exige jornada completa...
Cláudia Costin - Ela trabalha exclusivamente aqui [na secretaria].
Folha - E como ela está na lista de funcionários da TV Cultura?
Costin - Temos um contrato com a TV Cultura, em que a gente remunera a prestação
de serviços. Ela está no bojo desse processo.
Folha - Ela acumula a remuneração da secretaria e a da TV Cultura?
Costin - Não.
Folha - Isso é regular?
Costin - É regular. É uma das coisas que a gente está tentando
mudar na reestruturação da secretaria. Mas não é irregular.
Folha - Como a sra. classificaria essa situação? É um
artifício? Por que ela não recebe pela secretaria?
Costin - Existe essa modalidade de contratação pelas fundações
que se relacionam com as secretarias. Seria irregular se não houvesse
pagamento para a TV Cultura.
Folha - Há algum outro funcionário da secretaria nessa situação?
Costin - Não. É uma situação que não me
agrada. Não porque seja irregular. Mas é uma situação
que foi construída no processo da vinda dela para a secretaria.
Folha - É verdade que ela está saindo da secretaria? Por quê?
Costin - É verdade. É uma questão de composição
de equipe. Eu preferia não falar.
Folha - A saída tem alguma coisa a ver com essa duplicidade?
Costin - Não tem absolutamente nada a ver. Tem a ver com questões
administrativas em geral.
Folha - Não é desconfortável ela ser remunerada pela TV
Cultura e o governo do Estado cobrar eficiência na gestão da Fundação
Padre Anchieta e reduzir os repasses?
Costin - A secretaria paga. A TV Cultura recebe pelo salário dela. Não é tirado
da TV Cultura. Desconfortável é a secretaria não ter uma
estrutura adequada e acabar construindo essas alternativas.
Folha - Como a sra. avalia o "termo de ajuste" firmado no final da
gestão de Marcos Mendonça?
Costin - O Baneser foi desenhado originalmente por causa da secretaria da Cultura,
que exige certa flexibilidade. Quando o Baneser foi extinto, não havia
como lidar com oficinas culturais, por exemplo. Para fazer uma oficina de
teatro, de três meses, existe o credenciamento... Mas isso acabou se
generalizando por falta de alternativas, e as pessoas iam sendo contratadas.
Para resolver o problema, vamos criar organizações sociais
para todos os campos de atividade em que a secretaria atua e que não
sejam de formulação ou gestão de política cultural.
Elas têm um contrato, recebem recursos do Estado, têm um contrato
de gestão que estabelece metas a serem atingidas, mas têm autonomia
para contratar, para demitir, para fazer todas as atividades de gestão.
Folha - Esse pessoal que está com uma situação irregular...
Costin - Não é uma situação irregular, ilegal.
A renovação do credenciamento é que foi considerada inadequada
pelo Ministério Público do Trabalho.
Folha - Há um número de contratados que a sra. terá que
dispensar...
Costin - Eu não posso, a partir de julho do ano que vem, mantê-los
como credenciados. Todos trabalham, a maioria é super séria.
Já demitimos 20% dos credenciados. Em janeiro, quando assumi, havia
3.179 credenciados. No final de junho, havia 2.463. Para o restante, nós
estamos construindo a solução da organização social.
Porque ninguém está imaginando pegar todo o pessoal da Pinacoteca
[por exemplo] e mandar embora. Nós temos especialistas em restauro,
os monitores... Nós vamos transformar a Associação Amigos
da Pinacoteca numa organização social que vai abrigar a gestão
da Pinacoteca. Aí eles contratam ex-funcionários.
Folha - Por que esse termo de ajuste não veio a público?
Costin - Foi uma opção do secretário anterior.
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