ILUSTRAÇÃO X FOTO
por Ota

 

 

Fazendo uma análise isenta:

 

- a ilustração é mais antiga que a foto;

 

- a foto pode ser considerada uma ilustração, se a ilustração se der o significado de "imagem que acompanha um texto"; isto é, considerando aqui que tanto a foto como a ilustração são usadas para tornar uma página (seja de jornal, revista ou livro) mais atraente;

 

- a foto foi lentamente substituindo a ilustração, ficando a esta última uma função interpretativa, ou uma função "infográfica" -- aqueles gráficos ilustrados tão comuns nos jornais hoje em dia, que não podem ser substituídos por fotos.

 

- a ilustração de caráter jornalístico foi substituída pela foto. Era comum, no século retrasado, fazer-se uma ilustração mostrando uma cena, que representava a notícia; isso numa época em que ainda não havia a foto; com o advento da foto, essa função de representação pictórica da notícia desempenhada pela ilustração perde o lugar para a foto.

 

- a ilustração sobreviveu de outras formas. seja como caricatura, ou como ilustração mesmo, no sentido de recriação interpretativa, ou como vinhetas e afrescos etc. ou mesmo em variantes como histórias em quadrinhos, o que já virou um novo conceito e uma nova arte.
Passado esse preâmbulo, entremos no assunto.

 

Com a sofisticação da foto, da maneira de se registrar imagens etc, a ilustração como existia antes (até meados do séc. XX) foi perdendo seu espaço, passando a ser usada apenas nos casos onde não era possível se usar uma foto (seja em retratos falados, por exemplo, reconstituições de crimes e afins, ou para dar um charme extra e valorizar a página, o que virou a sua principal função).

 

Nos últimos anos, com o desenvolvimento do computador, a maneira de se criar imagens tomou nova dimensão. Eis que, paralelamente, a ilustração vem caindo em quantidade, ficando restrita ao apecto qualitativo.

 

A profissão de ilustrador-"operário" que tinha mais vagas nos veículos de imprensa (entenda-se por isso o profissional que fazia desenhos de encomenda "desenhe uma multidão aqui" etc) foi caindo, sendo mantidos, entretanto, os ditos ilustradores-"criativos" (os que reinterpretam um artigo, ou criam charges); estes, entretanto, também perderam vagas no mercado de trabalho devido à diminuição do número de veículos (antigamente havia bem mais jornais que hoje).

 

Ora, tudo isso é um derivativo de um texto do ilustrador Kipper, onde ele dizia que os fotógrafos obtiveram conquistas representativas, como pisos etc.

 

Ocorre que isso se deve ao fato de a foto ser cada vez mais necessária nos jornais, enquanto que a ilustração, infelizmente, virou um luxo. Um jornal pode, como medida de economia, cortar ou reduzir o número de ilustrações, mas não pode prescindir de fotos. Por essa razão, os fotógrafos têm muito mais poder de pressão.

 

Cabe aos ilustradores se superarem qualitativamente para manterem os seus espaços. Um ilustrador que imprimir a sua marca pessoal em tudo que faz pode até se dar ao luxo de pedir aumento; enquanto se o ilustrador for um "operário", desses que desenham de encomenda, se criar caso é substituído por um das dezenas de outros que estão implorando um emprego, ou mesmo por clip-art.

 

Infelizmente, é exatamente isso que ocorre.